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RECOMPONDO OS SONS DO PASSADO: A ESCUTA DE MULHERES SOBRE A CAMPANHA DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE A LER (1961-1964)
Roselia Cristina de Oliveira
Roselia Cristina de Oliveira
RECOMPONDO OS SONS DO PASSADO: A ESCUTA DE MULHERES SOBRE A CAMPANHA DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE A LER (1961-1964)
RECOMPONIENDO LOS SONIDOS DE DEL PASADO: ESCUCHANDO A LAS MUJERES SOBRE LA CAMPAÑA PIE EN TIERRA TAMBIÉN APRENDE A LEER (1961-1964)
RECONSTRUCTING THE SOUNDS OF THE PAST: LISTENING TO WOMEN ABOUT THE DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE A LER CAMPAIGN (1961-1964)
Caminhos da História, vol. 29, núm. 2, pp. 60-76, 2024
Universidade Estadual de Montes Claros

Dossiê

RECOMPONDO OS SONS DO PASSADO: A ESCUTA DE MULHERES SOBRE A CAMPANHA DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE A LER (1961-1964)

RECOMPONIENDO LOS SONIDOS DE DEL PASADO: ESCUCHANDO A LAS MUJERES SOBRE LA CAMPAÑA PIE EN TIERRA TAMBIÉN APRENDE A LEER (1961-1964)

RECONSTRUCTING THE SOUNDS OF THE PAST: LISTENING TO WOMEN ABOUT THE DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE A LER CAMPAIGN (1961-1964)

 Roselia Cristina de Oliveira i rosecris9.rc@gmail.com
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Brasil

Caminhos da História
Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil
ISSN: 1517-3771
ISSN-e: 2317-0875
Periodicidade: Semestral
vol. 29, núm. 2, 2024

Recepção: 27 Maio 2024

Aprovação: 26 Junho 2024


Este trabalho está sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Resumo: A campanha educativa De Pé no Chão Também se Aprende a Ler foi criada no ano de 1961, durante a gestão municipal de Djalma Maranhão na cidade de Natal, visando erradicar o analfabetismo e valorizar a cultura popular. A iniciativa contou com a assessoria do educador Paulo Freire e com a mobilização de parte da juventude que ansiava por transformar a realidade através da educação. No tocante às atividades culturais, estas foram espelhadas no Movimento de Cultura Popular (MCP) de Recife/PE, envolvendo a colaboração de mulheres em atividades-chave da administração municipal. Com o golpe civil-militar de 1964, essas mulheres foram presas, acusadas de subversão, e tiveram suas vidas transformadas pelo recrudescimento do regime militar. Metodologicamente, o presente estudo envolveu a pesquisa histórica e a entrevista vinculadas à Análise Compreensiva do Discurso elaborada por Kaufmann (2013), tendo como base a escuta sensível de cinco mulheres, além da análise de documentos de governo e de periódicos locais. Como resultado, através da perspectiva das mulheres, desvelamos aspectos peculiares da implementação das atividades educacionais, notadamente o êxito da alfabetização de adultos na cidade de Natal e a conjuntura política, eivada pela polarização e por disputas pela hegemonia local.

Palavras-chave: Escuta Sensível, Mulheres Potiguares, Campanha Educacional, Sons do Passado, De pé no chão.

Resumen: La campaña educativa De pien en el suelo: Tú También aprendes a leer fue creada durante la administración municipal de Djalma Maranhão, en la ciudad de Natal, en 1961, con el objetivo de erradicar el analfabetismo y valorar la cultura popular. La iniciativa contó con el apoyo del educador Paulo Freire y la movilización de una parte de la juventud que anhelaba transformar la educación local. En cuanto a las actividades culturales, estas se reflejaron en el Movimiento de Cultura Popular (MCP) de Recife. Además, su implementación implicó la colaboración de las mujeres en actividades clave de la administración municipal. Con el golpe cívico-militar de 1964, estas mujeres fueron detenidas, acusadas de subversión y vieron sus vidas transformadas por el régimen militar. La metodología utilizada fue una investigación histórica y entrevistas vinculadas al Análisis Integral del Discurso elaborado por Jean-Claude Kaufmann (2013), basado en la escucha sensible de cinco mujeres, el análisis de documentos gubernamentales y periódicos locales. Resultan, a través de la perspectiva de las mujeres, desvelamos aspectos peculiares de la implementación de actividades educativas, en particular el éxito de la alfabetización de adultos en la ciudad de Natal, la coyuntura política y las disputas por la hegemonía local.

Palabras clave: Escucha sensible, Mujeres potiguares, Campaña educacional, Sonidos del Pasado, De Pie en el Suelo.

Abstract: The educational campaign standing on the ground: You also learn to read was created during the municipal administration of Djalma Maranhão, in the city of Natal, in 1961, aiming to eradicate illiteracy and value popular culture. The initiative was assisted by educator Paulo Freire and the mobilization of part of the youth who longed to transform reality through education. Regarding cultural activities, these were mirrored in the Popular Culture Movement (MCP) of Recife. In addition, its implementation involved the collaboration of women in key activities of the municipal administration. With the civil-military coup of 1964, these women were arrested, accused of subversion and had their lives transformed by the resurgence of the military regime. The methodology used involved historical research and interviews linked to the Comprehensive Discourse Analysis elaborated by Jean-Claude Kaufmann (2013), based on the sensitive listening of five women, analysis of government documents and local journals. As a result, through the perspective of women, we unveil peculiar aspects of the implementation of educational activities, notably the success of adult literacy in the city of Natal and the political conjuncture tainted by polarization and disputes for local hegemony.

Keywords: Sensitive listening, Potiguar Women, Educational Campaign, Sounds of the past, Standing on the ground.

Introdução

A educação popular na década de 1960 passou a integrar a agenda política do Rio Grande do Norte nos âmbitos estadual e municipal como parte da política de desenvolvimento nos moldes desenvolvimentistas. Notadamente, a gestão estadual alinhou-se ao desenvolvimentismo nos moldes americanos. Já a municipalidade de caráter progressista se posicionava contraria a intervenção estrangeira na economia. Ademais, logo após a campanha eleitoral, evidencia-se uma pressão popular para sanar a falta de investimentos na educação básica, bem como erradicar os elevados índices de analfabetismo e a mortalidade infantil, elementos constitutivos desse processo. Uma vez evidenciada a alfabetização de adultos como alternativa viável, a educação passou a ser vista como prioridade. Naquele contexto, entretanto, o poder público apresentava uma estrutura insuficiente no tocante à disponibilidade de prédios escolares e de professores para atender a demanda local.

Por conseguinte, o Rio Grande do Norte foi identificado como um dos estados mais subdesenvolvidos da região Nordeste, conforme apontam os relatórios dos técnicos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e do Ministério do Desenvolvimento. Esse quadro desafiador estimulou os governantes a formularem programas de desenvolvimento para erradicar as mazelas sociais que impediam o alcance da almejada modernização. Nesse cenário, Djalma Maranhão e Aluízio Alves, respectivamente prefeito do município de Natal e governador do Estado Potiguar, concorreram ao pleito eleitoral de 1960 e caminharam juntos contra o poder vigente.

Contudo, a partir de 1962, esses dois políticos tomaram caminhos opostos. O gestor municipal, alinhado ao nacionalismo, encampou a luta contra a hegemonia do capital internacional na economia, acirrada pela tentativa de golpe de 1961. Esse fato levou grupos conservadores à tentativa de impedir a posse do vice-presidente João Goulart, em decorrência da renúncia do presidente Jânio Quadros. Djalma Maranhão, favorável à legalidade da posse do presidente, criou a Frente Nacionalista Potiguar.

Contrariamente, Aluízio Alves, alinhado ao poder conservador e reformista da União Democrática Nacional (UDN), além de declarar-se anticomunista, firmou um convênio direto com os Estados Unidos para financiar o seu programa de governo. Ressalte-se que essa eleição trazia uma peculiaridade: pela primeira vez, um prefeito fora eleito pelo voto popular, visto que antes os gestores eram indicados por governadores ou por lideranças partidárias.

No entanto, os parcos recursos disponíveis não foram suficientes para que Djalma Maranhão pudesse executar o seu planejamento. Essa realidade exigiu uma revisão das prioridades e, consequentemente, do projeto educacional. Esse incidente foi amplamente debatido pela equipe administrativa e pelas lideranças de bairros, denominadas comandos populares[1] que buscaram uma alternativa viável para as condições dadas.

Ademais, o posicionamento político repercutiu na administração pública do município não somente devido à conjuntura nacional, mas, sobretudo, pelo fato de Djalma Maranhão recusar os recursos oriundos do governo do Estado, que, naquele contexto, mantinha um convênio com o Programa Aliança para o Progresso[2]. Como alternativa, o então prefeito requisitou colaboração do governo federal. Na área educacional, ele recebeu ajuda do Ministério da Educação e Cultura (MEC), da Sudene, bem como do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que encaminhou material didático e recursos oriundos de dotações orçamentárias.

Para desenvolver o seu projeto educacional, foi sugerida pelos comandos populares a ideia dos acampamentos de palha, sem paredes, onde todos pudessem aprender a ler e escrever, mesmo aqueles que não dispusessem de roupas e calçados apropriados. A ideia, denominada De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, tomou a forma de uma campanha educacional com apoio popular, tendo como finalidade erradicar o analfabetismo na cidade de Natal. A iniciativa contou com a colaboração de políticos, intelectuais, jornalistas, educadores, estudantes secundaristas e universitários, religiosos e artistas.

Partindo dessa perspectiva, o presente estudo identificou a atuação de mulheres oriundas da classe média, vinculadas a uma rede de sociabilidade com um ideal comum, a transformação da realidade natalense. Para tanto integraram funções administrativas e educacionais, a exemplo de Mailde Pinto Ferreira, diretora de Documentação e Cultura (DDC); Margarida de Jesus Cortez, coordenadora do Centro de Formação de Professores e Maria Conceição Pinto de Góis, diretora do Ginásio Municipal, que também colaborou na elaboração e organização do livro de leitura criado para fundamentar o processo de alfabetização.

Nesse processo, também se destacaram duas mulheres militantes, Maria Laly Carneiro e Teresa Braga, estudantes universitárias e vinculadas à Ação Popular (AP)[3] e ao Partido Comunista, respectivamente, colaboraram com as atividades político-educacionais dos círculos de cultura, discutindo, por meio de palestras, participando da alfabetização e politização de adultos nos acampamentos escolares. Atuantes em atividades político-partidárias nos grêmios estudantis e sindicatos, essas mulheres foram protagonistas na transição de um governo democrático para uma ditadura civil-militar. Entretanto, a campanha educativa foi extinta com o golpe civil-militar de 1964, instituindo um regime autoritário que perdurou por vinte e um anos (1964-1985) e que culminou no silenciamento das forças progressistas que tentavam transformar a realidade natalense.

Para compreendermos esse processo, optamos tanto pela pesquisa histórica e documental quanto pela história oral, priorizando a escuta de mulheres que integraram as atividades da campanha educativa. Para consubstanciar a investigação, analisamos documentos pessoais e de governo, bem como matérias publicadas em periódicos locais, com a finalidade de rememorar o vivido, visibilizando essa conjuntura através do relato de mulheres, assim como as consequências de um processo repressivo que mudou a trajetória de cada uma delas. Intencionamos, com isso, apresentar “[...] uma forma de conhecermos uma versão do passado sensível e, mais que isso, [...] aprendermos algo sobre a realidade” (Alberti, 2004, p. 11). O recorte tomado para estudo evidencia os anos de 1961-1964. Um período marcado pelo silenciamento dos grupos progressistas pela força da hegemonia local, que, durante certo tempo, controlou a memória oficial.

Em sua estrutura, o artigo divide-se em três partes. Primeiramente, discutimos o contexto histórico e a escolha das mulheres protagonistas; em seguida, detalhamos a metodologia utilizada para a realização da pesquisa; por fim, destacamos as nuances de um processo exitoso de educação e cultura ceifado pelo golpe civil-militar de 1964. Esperamos que este artigo não apenas contribua para a compreensão de acontecimentos locais que marcaram a participação feminina em atividades educacionais e políticas, mas também evidencie, através de um método de história oral, aspectos da conjuntura que sedimentou a transição de um processo democrático para uma ditadura civil-militar.

Contextualizando a fala de mulheres: olhares e perspectivas

Evidenciamos, nesta pesquisa, o relato de cinco mulheres protagonistas da campanha educativa que se constituiu como um dos movimentos educacionais mais representativos da experiência exitosa de um governo progressista na região Nordeste na primeira metade da década de 1960. Ademais, a forma como as narrativas locais reescreveram esse processo, notadamente entre os anos 1998-2005, conferiu larga visibilidade às figuras masculinas, projetando o então prefeito de Natal e o secretário de Educação como autores de um processo eivado pela participação feminina. Esse ponto nos chamou a atenção sobretudo pelo peso da acusação de “subversão” atribuída a Mailde Pinto Galvão, Margarida de Jesus Cortez e Maria Laly Carneiro, presas e enquadradas pela polícia política com ampla divulgação na imprensa local.

Já Maria Conceição Pinto de Góes não foi presa, respondeu o inquérito em liberdade, mas teve o seu nome citado no Relatório de Subversão elaborado pelo governo do Estado. Contudo, Teresa Braga, única mulher a ter vínculo com o Partido Comunista e comprovada atuação na militância nos sindicatos, movimento estudantil universitário e na rede ferroviária conseguiu fugir e não foi presa, apesar de ter sua ficha no Departamento de Ordem Política e Social do Rio Grande do Norte (DOPS-RN) e de ser procurada como fugitiva.

Vale salientar que, durante o trabalho de pesquisa, os nomes de oito mulheres foram identificados nas fichas do DOPS-RN, assim como no Relatório de Subversão[4], denominado “Relatório Veras”, criado pelo governador Aluízio Alves como inquérito do Estado. Nas fichas, havia uma especificidade para fundamentar a acusação de subversão da municipalidade: a participação em atividades educacionais da campanha De pé no Chão Também se Aprende a Ler.

No conjunto documental examinado, foram contabilizados 331 dossiês e 1.683 fichas nominais, contendo identificação, militância, atuação e prisão ocorrida no período de 1964 a 1985. Com isso, algumas indagações se apresentaram como questões de pesquisa que nortearam a pesquisa histórica e bibliográfica referente à década de 1960, a saber: quem eram essas mulheres e como atuaram na campanha educacional? Por que a atuação em uma campanha educacional foi considerada uma ameaça ao status quo vigente, levando à prisão mulheres identificadas como subversivas? Qual o seu alinhamento político e a que classe social elas pertenciam, para integrarem uma gestão progressista em um período de acirramento político? Por que a historiografia local evidencia a atuação do prefeito e do secretário de Educação, ao passo que inferioriza a atuação das mulheres naquele contexto?

A palestra de Mailde Pinto Galvão durante o evento em comemoração ao Centenário de Luís da Câmara Cascudo[5] desvelou em certa medida alguns aspectos desse processo ao relembrar a exposição na imprensa local com as prisões e o preconceito enfrentado após a soltura, bem como as atividades culturais que promoveu. Esta, também contou com a colaboração de intelectuais da cidade em eventos na Praça de Cultura, agregando artistas, políticos locais e militares, a exemplo de Newton Navarro, general Antônio Muricy e o prefeito Djalma Maranhão, conforme retrata a Imagem 01.


Fig.1.
Inauguração da exposição de Newton Navarro
Acervo Mailde Pinto Galvão (1962). Mailde está gravando a apresentação do artista Newton Navarro durante uma apresentação na Galeria de Arte.

No que se refere à presença feminina nas atividades educativas da municipalidade, das oito mulheres contatadas, três se recusaram a participar da pesquisa, justificando não terem condições emocionais para lidar com a rememoração de um passado sensível. Em função disso, foram realizadas cinco entrevistas. Essa amostragem aparentemente pouco representativa em termos quantitativos trouxe uma importante contribuição aos estudos historiográficos, uma vez que essa escolha estava condicionada ao lugar ocupado por cada participante naquele contexto.

Com isso, ressaltamos a identidade de gênero e, sobretudo, as redes de sociabilidade que foram construídas com base no conhecer e no relacionar-se, tendo em vista que os lugares sociais e políticos foram ocupados por uma rede tecida e conectada em um cenário de efervescência dos movimentos sociais. De acordo com Scott (1995, p. 3), as relações sociais são “[...] formadas com as diferenças entre os sexos [...]. O gênero é um primeiro modo de dar significado às relações de poder, ainda que o gênero não pode ser empregado apenas como um conceito referente às mulheres”.

Os relatos das entrevistadas revelaram aspectos constitutivos das atividades educacionais, culturais e políticas da época, mediante a rememoração de reuniões, eventos, decisões políticas, conflitos e confrontos das equipes, além das recriminações de familiares e amigos devido ao fazer educacional e político de cada uma delas. Em suas falas, cada uma expressou com riqueza de detalhes fatos da conjuntura política nacional e local, notadamente os conflitos entre os grupos conservadores e progressistas representados por Aluízio Alves e Djalma Maranhão refletindo o contexto histórico e a interferência do poder coercitivo do capital estadunidense em terras potiguares em plena transição de uma democracia para uma ditadura.

Identificamos, ainda, ações envolvendo a criação das praças de cultura e eventos da galeria de arte e das bibliotecas populares, exposições, palestras de intelectuais e estudiosos pela DDC, além do cuidado para com o processo formativo dos professores da rede municipal e o rigor profissional do gestor municipal e de toda a equipe. No entanto, tais processos foram marcados por conflitos durante as reuniões partidárias, na tentativa de criar um grupo forte de combate ao conservadorismo local. Tal fato evidenciou os integrantes, caracterizando-os como subversivos. Por conseguinte, a ampliação da campanha educativa do município alcançava, em pouco tempo, êxito com a alfabetização de adultos e a qualificação profissional, assim como nas atividades de conscientização e politização nos acampamentos educacionais e nos círculos de cultura.

É preciso salientar que os homens também se destacaram nesse processo, com um ideário comum de transformar a realidade vivida. Por isso, evidenciar os relatos das mulheres é “[...] ressaltar suas experiências, tornando-as mais concretas” (Alberti, 2004, p. 22), porquanto suas falas nos aproximaram de um passado revisitado pela perspectiva feminina. Nesse sentido, reescrever tais narrativas constitui um dever de memória, haja vista o processo de silenciamento instaurado ao longo de anos pela hegemonia política local, que via no acesso da população ao conhecimento e à participação política uma ameaça ao poder vigente.

Recompondo os sons da participação feminina na campanha educativa

Para compor os sons do passado sensível, adotamos a entrevista como etapa constitutiva do processo de reinterpretação da campanha educativa De Pé no Chão Também se Aprende a Ler. O trabalho de reinterpretação foi implementado no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) nos anos de 2003 a 2005, resultando na produção de dissertação sobre o tema (Oliveira, 2005).

Ao investirmos na relação dialógica com as entrevistadas, buscamos conhecer as trajetórias que culminaram na relação profissional com a campanha educativa, as especificidades de cada atuação e as transformações após a retomada do processo democrático. Para o alcance desse objetivo, utilizamos a metodologia da Análise Compreensiva do Discurso, visando a uma maior aproximação entre a produção teórica e a pesquisa empírica (Kaufmann, 2013).

Inicialmente, realizamos leituras exploratórias sobre o cenário político e educacional em perspectiva. Em seguida, organizamos um roteiro-guia que serviu de base para a realização das entrevistas, abordando aspectos como formação, escolhas, práticas, definições, história e mudanças. As entrevistas foram realizadas seguindo um plano de escuta, tendo em vista o acolhimento e a disponibilidade das participantes em relatarem os momentos vividos, observando o tempo destinado para cada etapa (geração, escuta, transcrição, interpretação). Contudo, aspectos relacionados à prisão, torturas psicológicas, libertação, preconceitos, rompimento de laços e reconstrução de vidas levaram mais tempo para o registro, sendo necessários ao menos dois encontros.

Ao todo, para cada entrevistada foram realizados três encontros, buscando-se preservar aspectos pessoais e o cuidado com a fragilidade emocional de cada protagonista. Partimos do entendimento de que a rememoração de um passado doloroso exigia o compromisso de ouvi-las, acolhendo suas dores, respeitando o tempo de fala e a implicação desse processo. Durante as entrevistas, desnudamos fragilidades e dores que conectaram as histórias de vida, tendo como elemento aglutinador a educação popular, o rótulo de subversivas e as prisões. A estratégia adotada foi a aproximação com a primeira entrevistada, Mailde Pinto Ferreira, a fim de conseguirmos uma base de apoio para acessar as demais mulheres. Para complementar o roteiro-guia, algumas questões abertas foram formuladas, envolvendo infância, juventude e a aproximação com Djalma Maranhão, atreladas às consequências desse processo.

Como substrato para as demais entrevistas, destacamos as impressões das entrevistadas, que se comunicaram com antecedência, como se elas estabelecessem um acordo secreto do que seria falado e o que precisavam manter em silêncio, como se durante a prisão tivesse ocorrido um pacto. Outro ponto elucidativo dessa escolha está na produção do livro 1964: aconteceu em abril, de autoria de Mailde Pinto Galvão[6], publicado meses antes da realização da primeira entrevista, o que possibilitou tecermos uma rede de sociabilidade, visando mapear as atividades educacionais e políticas dessas mulheres.

A segunda etapa exigiu disciplina e rigor metodológico para a audição de todas as gravações por sucessivas vezes, seguidas da transcrição das falas em conformidade com a metodologia adotada. Devido aos fragmentos de discursos das mulheres, foram elaborados blocos de falas que geraram planos evolutivos, os quais culminaram no sumário, na interpretação e na escrita de uma versão do passado, borrado pela força da hegemonia vigente.

Desvelando a campanha educativa

A campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler foi um movimento de educação popular que serviu de referência na região Nordeste. Implementada em fevereiro de 1961 pela gestão progressista do prefeito da cidade de Natal, Djalma Maranhão, a campanha perdurou até abril de 1964, com a deflagração do golpe civil-militar. Naquele contexto, o Rio Grande do Norte protagonizou a criação de dois movimentos educacionais de grande repercussão nacional: em 1961, o Movimento de Educação de Base (MEB) da Igreja Católica e, em 1963, a Alfabetização de Adultos de Angicos, vinculada à gestão Aluízio Alves. Os movimentos socioeducacionais criados no País evidenciaram o quanto a educação popular, notadamente a alfabetização de adultos, foi tensionada.

Por um lado, a Igreja Católica tentava controlar as atividades no campo com a efervescência dos movimentos sociais, a exemplo das Ligas Camponesas[7] e a atuação do Partido Comunista, sobretudo com a formação de lideranças e a politização das relações de trabalho e de luta pela terra. Destacam-se, nesse processo, o estímulo à criação de sindicatos pelo Serviço de Assistência Rural (SAR) e a alfabetização do MEB. Por outro lado, forças progressistas e conservadoras viam na alfabetização e na politização de adultos uma forma de transformar a realidade, controlando o maior número de adultos eleitores durante a disputa eleitoral de 1965. Nesse processo, ocorreu a intensa participação do povo, que reivindicava condições mais igualitárias e pressionava os gestores públicos para a efetivação das reformas de base[8], tema amplamente estudado por Cortez (2005), Fávero (1983), Beisiegel (1982), Góes (1980), Germano (1979; 1982) e Paiva (1973).

No caso do Rio Grande do Norte, a precarização dos serviços básicos, os elevados índices de analfabetismo e a mortalidade infantil levaram ao acirramento político, tendo o nacionalismo djalmista em contraposição ao desenvolvimentismo financiado pelo dólar americano do governo Alves. A campanha educativa feita com dinheiro brasileiro foi levada adiante como alternativa viável, executada através de uma rede de sociabilidade que contou com a colaboração técnica de funcionários cedidos pelo governo do Estado (1961-1962), além dos recursos oriundos do MEC e da colaboração do governador Leonel Brizola, à frente da administração do Rio Grande do Sul à época.

Nesta pesquisa, evidenciamos o protagonismo de mulheres na tentativa de lidar com a desigualdade imposta nas relações profissionais nos espaços públicos e privados, de modo a romper com a perpetuação da invisibilidade de suas ações. Nesse sentido, convém lembrar que, conforme Santos et al. (2012, p. 121), “[...] a inferioridade feminina está baseada no conceito de que a mulher é fraca, submissa, passiva; avessa ao homem, forte, viril, racional”. A desigualdade social e de gênero observada nos espaços públicos e privados na década de 1960 apontam para a influência de pensamentos análogos. Por isso, priorizou-se a adesão de mulheres de classe média que integraram cargos de chefia e assumiram militância política.

O conceito postulado por Sirinelli (1986) pressupõe que um pequeno mundo estreito, no qual a produção intelectual se torna possível, teria duas naturezas essenciais: a da inclusão e a da exclusão. Sirinelli (1986) identifica ainda uma natureza espacial e uma natureza vivencial, em que se estabelecem as fidelidades e amizades (inclusões) e, também, as divergências, as cisões e os debates (exclusões).

Essa rede, forjada em torno da campanha educativa, possibilitou a adesão de parte da intelectualidade e da juventude local, orientada por diferentes correntes políticas alinhadas a um ideário comum, qual seja, mudar a realidade social e política. As mulheres selecionadas tinham, naquele momento, entre 20 e 30 anos de idade; duas eram religiosas (católica e protestante), apresentavam um alinhamento humanístico e gostavam da leitura de obras clássicas. Apenas uma delas efetivamente vinculava-se ao partido comunista.

Na composição da equipe educacional, estavam duas irmãs: Mailde Ferreira de Almeida, diretora da DDC, e Maria Conceição Pinto de Góes, esposa do secretário de Educação, além de Maria Laly Carneiro, acadêmica do curso de Medicina e integrante da Juventude Universitária Católica (JUC) e da AP, ambas vinculadas à Igreja Católica. De acordo com a documentação do governo estadual, no ano de 1961, Lia Campos, diretora do Centro de Pesquisas Educacionais do Estado (CEPE), colaborou para a cessão de Margarida de Jesus Cortez, para que esta pudesse coordenar o Centro de Formação de Professores.

Quadro 01
Dados das entrevistadas

Oliveira (2005).

Conforme é possível observar, a política esteve presente nos processos educacionais, tendo em vista que a alfabetização de adultos e as atividades culturais caracterizadas pela politização do método foram assessoradas pelo educador Paulo Freire, espelhadas no MCP de Recife e na politização do União Nacional dos Estudantes. Quanto à atuação feminina, estas são evidenciadas nas atividades de politização, na panfletagem nos sindicatos, nos debates e na conscientização da realidade durante os círculos de cultura, manifestações fortemente vinculadas ao movimento estudantil universitário. Essa atuação, interpretada como atividade subversiva, levou as mulheres engajadas à prisão no comando militar do 16º Batalhão de Infantaria Motorizada de Natal, com exceção de Teresa Braga, que, logo após o golpe civil-militar, fugiu para o Estado da Paraíba.

A narrativa sobre a efervescência cultural, as atividades de alfabetização e o êxito desse processo demonstrou, em larga medida, o compromisso assumido por Djalma Maranhão em democratizar o acesso à escolarização, erradicar o analfabetismo, ofertar formação profissionalizante de adultos e ampliar a alfabetização para além da cidade de Natal, chegando a assessorar alguns municípios potiguares. Curiosamente, essas ações foram silenciadas por grupos conservadores, uma vez que documentos, acampamentos e a galeria de artes foram destruídos, em um claro processo de apagamento da memória de uma campanha exitosa forjada por forças progressistas.

Tal processo reverberou nas escolas públicas e privadas do Rio Grande do Norte, notadamente no fim dos anos 1980, pois a história ensinada, bem como a produção de material didático e paradidático, continuou invisibilizando ou banalizando não somente os aspectos políticos daquela conjuntura, mas também a atuação de Djalma Maranhão e o êxito da campanha educativa. Todavia, o trabalho de memória tem sido reconstruído através das narrativas de Moacyr de Góes, José Willington Germano, Mailde Pinto Galvão e Margarida Cortez, além dos trabalhos acadêmicos, como dissertações e teses defendidas na UFRN, que evidenciaram aspectos históricos e educacionais da referida campanha.

A Entrevista Compreensiva

As entrevistas feitas às mulheres participantes do estudo foram elaboradas e executadas em conformidade com as orientações da Análise Compreensiva do Discurso, cuja metodologia organiza-se através da palavra, tendo-a como elemento central e como meio de expressão do sujeito. Esse método foi desenvolvido pelo sociólogo francês Jean-Claude Kaufmann (2013), o qual concebe a palavra como ato concreto do sujeito, como guia da realidade social. Nesse sentido, a Análise Compreensiva do Discurso consiste em um processo de construção do objeto de estudo, permitindo que o pesquisador se envolva, tornando-se um artesão intelectual, ao dominar e personalizar seus instrumentos, suas teorias, no âmbito da pesquisa (Oliveira, 2005).

A expressão “artesão intelectual” foi tomada por Wright Mills (1982) e significa o evitar de qualquer procedimento rígido, aproximando-se da abordagem da Sociologia Compreensiva desenvolvida por Marx Weber (1991), que a fundamenta colocando em evidência encadeamentos e regularidades. Também encontra aporte na antropologia de Clifford Geertz (1989), que prevê que uma pesquisa, quando da construção de um objeto, busca a compreensão do social, maneiras de viver ou os instrumentos instalados para as práticas culturais, tornando-se um instrumento de análise. Portanto, no caso em tela, as mulheres constituem-se como a unidade de referência deste trabalho, permitindo a elaboração de um roteiro de entrevista demonstrado no Quadro 2.

Quadro 02
Roteiro de entrevistas

Oliveira (2005)

Para estruturar os processos de transcrição e de análise das falas, foi preciso adequar o tempo, pois a rememoração dos acontecimentos levou a um misto de emoções, alternando revolta, euforia, silêncio, não ditos. Fez-se necessário, inclusive, adequar a distância continental, haja vista que Maria Laly Carneiro residia na França e visitava anualmente a família no Brasil. Por isso, foi fundamental conhecer os familiares das entrevistadas, antecipando particularidades de suas histórias e rotinas. Com isso, criaram-se laços de afetividade que extrapolaram a relação entre a pesquisadora e as entrevistadas. Nesses momentos riquíssimos, falávamos sobre a vida, filhos, arte, política, educação, livros, filmes, músicas e curiosidades envolvendo a sociedade natalense nos anos 1960.

No que se refere aos aspectos peculiares das atividades educacionais, nas falas das entrevistadas foram recorrentes as referências sobre as etapas da campanha e o estresse da equipe, a exemplo da forma autoritária de o prefeito Djalma Maranhão se comunicar: “Djalma estressava a todos, queria tudo certo, para ontem. Alguns momentos foram tensos. Brigávamos bastante, apesar de fazer as pazes na mesma velocidade” (Mailde Pinto Galvão). Além disso, o contexto tramado pela polarização entre progressistas e conservadores impediu os avanços necessários quanto ao processo de desenvolvimento: “Deixamos de avançar em algumas demandas por falta de recursos. A escola de palha versus a educação dolarizada trouxe a educação como campo de disputa no RN” (Teresa Braga).

Diferentes ideologias contribuíram nesse propósito de erradicar o analfabetismo potiguar: “Ao mesmo tempo que atuávamos na campanha do município, também contribuíamos no movimento estudantil universitário, o humanismo progressista da Igreja Católica, projeto de cultura popular da UNE-RN e a participação na alfabetização de Angicos” (Maria Laly Carneiro). Nesse sentido, era “[...] uma equipe coesa, sem rivalidade, que trabalhava com rigor, responsabilidade e paixão” (Margarida de Jesus Cortez).

Ademais, a campanha educativa constituiu-se como uma brecha no processo de polarização, evidenciando a presença do povo na luta contra o processo de alienação vigente, sobretudo contra o imperialismo representado pela força das empresas estrangeiras e do financiamento do programa de desenvolvimento do governo estadual pelo Programa Aliança para o Progresso. Com essa brecha, “[...] pretendia-se transformar a cultura brasileira pelas mãos do povo, transformar a ordem das relações de poder e a própria vida do país” (Fávero, 1983, p. 9).

Esse processo ameaçou o status quo vigente, de maneira que, nas fronteiras do governo Alves, não seria admitida a vitória das forças progressistas. Em abril de 1964, “fomos punidos por opinião, não houve crime de nossa parte. Fizemos educação popular em sua melhor expressão” (Margarida de Jesus Cortez). Assim, a campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler foi banida do cenário natalense e apagada da memória popular e da historiografia da educação: “Todos sofreram penalidades. Podada impiedosamente, pois gerava uma inveja danada. Por isso tinha de ser destruída, assim como seus integrantes. Porque com certeza teria continuidade” (Teresa Braga).

Com efeito, o protagonismo do Rio Grande do Norte na área educacional repercutiu o sonho de transformar a realidade social nos primeiros anos de 1960. Tal repercussão deu-se, sobretudo, com o êxito da atuação do MEB, a adoção do método de alfabetização de Angicos pelo MEC e com a ampliação da alfabetização do município de Natal associada à profissionalização, fatos que foram considerados uma ameaça à ordem institucional.

Considerações Finais

As entrevistas com mulheres possibilitaram a compreensão do contexto histórico que pôs o Rio Grande do Norte como protagonista de um processo de transformação social, em que a educação foi considerada prioridade de governo. Desse modo, associado à tentativa de emancipação através da alfabetização e da politização, o processo educativo visava ser o principal meio de superação das desigualdades na cidade de Natal. Ao narrar suas memórias, as cinco mulheres entrevistadas tiveram suas trajetórias visibilizadas com o reconhecimento de sua atuação profissional precisamente na área da educação, destacando suas escolhas políticas e as consequências desse processo.

Além de ensinarem a valorizar a amizade e a acreditar nos sonhos, as narrativas desveladas apontaram para aspectos políticos peculiares e para o antagonismo entre Djalma Maranhão e Aluízio Alves. Em conjunto, esse cenário impactou a vida de todos os integrantes da gestão progressista de Natal e a composição de uma rede de sociabilidade. Esta, por sua vez, envolvia atores sociais como Newton Navarro, Zila Mamede, Ticiano Duarte, D. Eugênio Sales, Luiz Maranhão, além dos próprios Djalma Maranhão e Aluízio Alves, dentre outros, os quais tiveram participação ativa nos processos políticos que antecederam o golpe civil-militar de 1964, contribuindo para os estudos sobre a ditadura militar e gênero.

Referências bibliográficas

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FÁVERO, Osmar; SEMERARO, Giovanni (org.). Democracia e construção do público no pensamento educacional brasileiro. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

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Fontes

Mailde Pinto Galvão. Natal/RN, 20 de abril de 1998.

Entrevista 02. Teresa Braga. Natal/RN, 13 de maio de 1998.

Entrevista 03. Margarida de Jesus Cortez. Natal/RN, 05 de setembro de 1999.

Entrevista 04. Maria da Conceição Pinto de Góes. Natal/RN, 12 de janeiro de 2000.

Entrevista 05. Maria Laly Carneiro. Natal/RN, 20 de maio de 2003.

Notas

[1] Criados nos bairros natalenses durante a campanha eleitoral para apoiar a candidatura de Djalma Maranhão de 1960, os comandos populares também mobilizaram debates na busca por alternativas para os problemas envolvendo a falta de recursos financeiros para o andamento da campanha educativa. Os bairros das Rocas e Quintas se destacaram nesse processo.
[2] Programa de ajuda externa criado pelos Estados Unidos para promover o desenvolvimento na América Latina.
[3] Ação Popular foi uma organização política, identificada como esquerda cristã, criada em 1962 como o resultado de uma articulação dos integrantes da Juventude Universitária Católica (JUC) e agremiações da Ação Católica Brasileira. Em 1963, os dirigentes adotaram o socialismo humanista inspirados em Emmanoel Mournier, Jacques Maritain e Louis-Joseph Lebret, dentre outros. Cf. PAULON, Alessandra Ciambarella. Entre o rosário e as armas: a Ação Popular e a questão da luta armada no Brasil (1965-1968). ANPUH – XXIII Simpósio Nacional de História, Londrina, 2005.
[4] O relatório foi idealizado pelo governador Aluízio Alves que solicitou dois policiais do governo de Pernambuco com treinamento no FBI.
[5] O evento ocorreu no dia 17 de agosto de 1998 no Teatro Alberto Maranhão, recebendo convidados ilustres, políticos e intelectuais que referenciavam a memória de Câmara Cascudo. Na ocasião, estabelecemos contato com Mailde e, a partir daí, começamos a investigar a educação popular na década de 1960.
[6] Mailde Pinto Ferreira, casou-se com o professor Claudio Galvão, mudando assim o seu sobrenome de Ferreira para Galvão.
[7] As Ligas Camponesas foram organizações de camponeses criadas na década de 1950, liderada pelo deputado Francisco Julião. As Ligas se formaram inicialmente em Pernambuco e na Paraíba e, depois, em toda a região Nordeste, em prol de melhores condições sociais e de trabalho no campo, via reforma agrária. Cf. JULIÃO, Francisco. Que são as ligas camponesas. In: Welch, C. A. et al. Camponeses brasileiros: leituras e interpretações clássicas, v. 1, Coleção História Social do Campesinato no Brasil. São Paulo: Edunesp, 2009, p. 271-297.
[8] Trata-se de reformas estruturais para o país, incluindo um conjunto de propostas que alteravam a estrutura econômica, política e social vigente, permitindo a diminuição da desigualdade social brasileira. Essas reformas foram encampadas pelo presidente João Goulart em 1963, na tentativa de superar o processo de subdesenvolvimento. Cf. https://www.institutojoaogoulart.org.br. Acesso em: 21 jun. 2024.

Autor notes

i Pesquisadora de Pós-doutorado Estratégico da CAPES, vinculado ao Programa de Pós-graduação em História dos Sertões, Departamento de História do Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); doutora em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação (PPGED) da UFRN; graduada em História pela UFRN. E-mails: rosecris9.rc@gmail.com; rosecrisoliveira@yahoo.com.br. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9969-5839.

Ligação alternative

Caminhos da História

Institución: Universidade Estadual de Montes Claros

Volumen: 29

Número: 2

Publicado: 2024

Recibido: 27 de mayo, 2024

Aceptado: 26 de junio, 2024

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